Home Acervo Entrevista Datiloscrita do Artista Pedro Bertolino concedida ao Centro de Estudos Experimentais, Florianópolis, 1969.

Entrevista Datiloscrita do Artista Pedro Bertolino concedida ao Centro de Estudos Experimentais, Florianópolis, 1969.

Pedro Bertolino

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03380 - 1969 - Entrevista Datiluscrita

29,8 x 21 cm

Entrevista Datiloscrita do Artista Pedro Bertolino concedida ao Centro de Estudos Experimentais, Florianópolis, 1969. Documento original datilografado de extraordinária importância para a história do movimento Poema Processo e para a compreensão das formulações teóricas de Pedro Bertolino. A entrevista registra uma das mais completas exposições do pensamento do artista sobre a natureza do Poema Processo, sua ruptura com a poesia concreta e a necessidade de uma nova linguagem de comunicação visual adaptada à sociedade tecnológica e industrial.\n\nPedro Bertolino afirma que o movimento surgiu oficialmente em dezembro de 1967, com exposições nacionais simultâneas na Guanabara e no Rio Grande do Norte, reunindo vinte e cinco poetas de nove estados brasileiros, entre eles Guanabara, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco. O documento menciona a publicação da revista Ponto 1 e registra a realização de exposições e ações em cidades como Guanabara, Bahia, Recife, Buenos Aires, Pirapora, Montevidéu e Florianópolis, demonstrando a dimensão internacional alcançada pelo movimento em apenas dois anos de existência.\n\nA entrevista apresenta uma das declarações mais radicais do período ao afirmar que o movimento de 1922 estava definitivamente encerrado e que a poesia concreta já havia completado o seu ciclo histórico. Bertolino define o Poema Processo como um projeto aberto que não pode ser enquadrado em fórmulas prévias e declara que o movimento se supera e se redefine por si próprio. O artista afirma que o objeto único perdeu sentido e que a arte contemporânea deve valorizar o relativo, o processo e a participação.\n\nO documento também apresenta uma sofisticada reflexão sobre publicidade, consumo e comunicação de massa. Para Bertolino, o Poema Processo e a publicidade identificam se como promotores de cultura e acompanham a lógica da sociedade industrial. O artista distingue, entretanto, o anúncio comercial do poema processo ao afirmar que a publicidade busca o consumo de um produto externo, enquanto o poema processo objetiva o consumo de si próprio como experiência estética e comunicacional.\n\nUm dos aspectos mais notáveis da entrevista é sua reflexão pioneira sobre automação e inteligência artificial. Pedro Bertolino menciona experiências realizadas na Califórnia com computadores especializados em poesia e literatura e cita a possibilidade de máquinas produzirem versos, traduções, romances e críticas literárias. O artista considera positiva a substituição de determinadas funções intelectuais pela tecnologia, argumentando que a automação pode libertar o ser humano do trabalho repetitivo e ampliar o tempo destinado à felicidade, à criação e à liberdade. Esta reflexão constitui um dos mais precoces textos brasileiros a abordar o impacto da inteligência artificial e dos computadores sobre a produção artística e cultural.\n\nA entrevista representa um documento fundamental para a história da poesia visual brasileira, da arte conceitual e das vanguardas experimentais latino americanas. Constitui uma fonte primária indispensável para o estudo do pensamento de Pedro Bertolino e da evolução teórica do Poema Processo.\n\nEnglish\n\nTyped Interview of the Artist Pedro Bertolino granted to the Center for Experimental Studies, Florianópolis, 1969. This original typed document is of extraordinary importance for the history of the Poema Processo movement and for understanding Pedro Bertolino's theoretical formulations. The interview records one of the most complete presentations of the artist's ideas concerning the nature of Poema Processo, its rupture with concrete poetry and the necessity of a new language of visual communication adapted to technological and industrial society.\n\nPedro Bertolino states that the movement officially emerged in December 1967 with simultaneous national exhibitions in Guanabara and Rio Grande do Norte, bringing together twenty five poets from nine Brazilian states, including Guanabara, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo, Bahia and Pernambuco. The document mentions the publication of the magazine Ponto 1 and records exhibitions and actions in Guanabara, Bahia, Recife, Buenos Aires, Pirapora, Montevideo and Florianópolis, demonstrating the international dimension achieved by the movement in only two years.\n\nThe interview presents one of the most radical declarations of the period by stating that the movement of 1922 had definitely ended and that concrete poetry had completed its historical cycle. Bertolino defines Poema Processo as an open project that cannot be confined within previous formulas and declares that the movement surpasses and redefines itself continuously. The artist states that the unique object has lost its meaning and that contemporary art must value relativity, process and participation.\n\nThe document also presents a sophisticated reflection on advertising, consumption and mass communication. According to Bertolino, Poema Processo and advertising identify themselves as promoters of culture and follow the logic of industrial society. However, he distinguishes commercial advertising from the process poem by arguing that advertising seeks the consumption of an external product, while Poema Processo seeks the consumption of itself as an aesthetic and communicational experience.\n\nOne of the most remarkable aspects of the interview is its pioneering reflection on automation and artificial intelligence. Pedro Bertolino mentions experiments carried out in California with computers specialized in poetry and literature and refers to the possibility of machines producing verses, translations, novels and literary criticism. The artist considers the replacement of certain intellectual functions by technology as positive, arguing that automation may liberate human beings from repetitive labor and increase the time devoted to happiness, creation and freedom. This reflection constitutes one of the earliest Brazilian texts addressing the impact of artificial intelligence and computers on artistic and cultural production.\n\nThe interview represents a fundamental document for the history of Brazilian visual poetry, conceptual art and Latin American experimental avant garde movements. It is an indispensable primary source for the study of Pedro Bertolino's thought and the theoretical evolution of Poema Processo.

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