BALAIO INCOMUM III/(135)
Moacy Cirne
01782 - Niterói, 26 de dezembro de 1988 - Tecnica Mista
33 x 21,5 cm
Este exemplar do Balaio Incomum, editado por Moacy Cirne no contexto da Comunicação/UFF, evidencia o caráter crítico e político do boletim no Brasil do final dos anos 1980. Produzido de forma informal e datilografado, o documento apresenta abertura com a seção #quot;ESCROTEU DE MERDA#quot;, na qual se registra crítica direta à retirada do filme A última tentação de Cristo de programação institucional, mencionando explicitamente agentes e contexto de censura cultural. Em seguida, a seção #quot;ATÉ QUANDO?#quot; organiza-se como composição tipográfica repetitiva, distribuindo a mesma pergunta ao longo da página, intensificando o tom de denúncia. O texto final amplia essa interrogação ao associá-la a temas como intolerância, pseudomoralismo, incompetência e mediocridade. Inserido no processo de redemocratização, ainda marcado por disputas culturais e resquícios censórios, o Balaio Incomum atua como meio de circulação crítica em rede. Sua materialidade simples e circulação restrita reforçam sua função como documento histórico das práticas de resistência e expressão na poesia experimental brasileira.