Poema Solida
Wlademir Dias Pino
Categoria: Livro de Artista
Acervo: 01665
Data: 1962
Dimensões: 19 x 19 cm
Solida, de Wlademir Dias Pino, é um livro de artista, livro poema e poema visual experimental publicado no Rio de Janeiro em 1962 como edição do artista. A obra constitui uma das realizações fundamentais da trajetória de Wlademir Dias Pino e um marco das pesquisas brasileiras sobre poesia visual, linguagem gráfica, estrutura, signo, código, participação do leitor e transformação da palavra em informação visual. Esta versão de 1962 foi concebida em formato de caixa com folhas soltas e desenvolve de maneira radical questões que o artista já vinha investigando anteriormente por meio da tipografia, da espacialização da palavra e da construção visual do poema.
O conjunto é estruturado a partir da palavra núcleo SOLIDA. A partir dela são obtidas diferentes unidades verbais que passam por sucessivos processos de recodificação. Palavras, letras e posições deixam progressivamente de funcionar apenas como elementos de leitura verbal e passam a ser convertidas em pontos, linhas, planos, gráficos, formas e relações espaciais. O poema desenvolve assim um sistema no qual a informação linguística é traduzida para códigos visuais e estruturais.
A edição de 1962 organiza esse processo em séries de pranchas e cartões quadrados. O exemplar possui cinco séries de nove cartões, cada cartão relacionado à configuração de uma palavra, além de pranchas introdutórias nas quais são apresentados procedimentos de recodificação das letras por sinais gráficos e gráficos estatísticos. A organização sequencial não conduz apenas a uma leitura convencional. Cada transformação modifica o modo como a informação é percebida e permite acompanhar a passagem da palavra para estruturas cada vez mais abstratas.
A materialidade é parte essencial de Solida. Serigrafia, recorte e vinco sobre papel transformam as folhas em superfícies manipuláveis. Em determinados momentos, cortes e dobras permitem que o trabalho ultrapasse o plano bidimensional e avance para relações espaciais e tridimensionais. Página, limite, superfície, corte, dobra e volume deixam de funcionar apenas como suporte e passam a integrar a própria linguagem do poema.
A caixa e as folhas soltas modificam também a experiência tradicional do livro. O leitor não encontra uma sequência fixa determinada exclusivamente por páginas encadernadas. A manipulação física das peças, a comparação entre séries e o reconhecimento das correspondências entre palavras, sinais e formas tornam a leitura uma operação ativa. Solida aproxima livro, poema, objeto, sistema gráfico e processo de comunicação.
Historicamente, a obra de 1962 corresponde a uma segunda formulação de Solida. Uma versão anterior havia sido apresentada em painéis no contexto da Exposição Nacional de Arte Concreta iniciada em 1956. Na edição em caixa, Wlademir Dias Pino amplia a investigação sobre codificação e estrutura e transforma o poema em um conjunto manipulável de folhas, desenvolvendo princípios que mais tarde seriam centrais nas experiências do Poema Processo, movimento lançado publicamente em 1967.
A relação entre Solida e Poema Processo é, portanto, histórica e conceitual. A edição de 1962 antecede a constituição pública do movimento, mas apresenta procedimentos que posteriormente se tornariam fundamentais, entre eles a superação da dependência exclusiva da palavra, a valorização da estrutura, a transformação do signo, a leitura como operação, a participação do receptor e a possibilidade de desenvolvimento de versões a partir de uma matriz informacional.
Wlademir Dias Pino aprofundou em Solida uma concepção do poema como sistema capaz de gerar transformações. Em lugar de considerar a palavra como unidade final e imutável, a obra demonstra como uma informação verbal pode ser desmontada, codificada e reconstruída em diferentes linguagens visuais. Esse princípio ajuda a compreender a importância posterior da versão e do processo nas experiências ligadas ao Poema Processo.
Este exemplar possui relevância documental adicional por preservar, junto ao conjunto artístico de 1962, a caixa, as pranchas, o convite relacionado ao lançamento de Solida e o envelope original desse convite. A associação entre obra e documentação de circulação permite estudar simultaneamente a estrutura artística do poema, sua apresentação editorial e aspectos materiais de seu lançamento.
Solida constitui uma fonte primária para pesquisas sobre Wlademir Dias Pino, poesia visual brasileira, poesia experimental, livro de artista, livro poema, design gráfico, comunicação visual, semiótica, processos de codificação, participação do leitor, arte construtiva brasileira e antecedentes históricos do Poema Processo. Sua estrutura evidencia uma investigação pioneira sobre as relações entre palavra, imagem, informação, suporte, leitura, espaço e objeto na arte e na poesia brasileira da segunda metade do século XX.
TEXTO SALSA INGLÊS
Solida, by Wlademir Dias Pino, is an artist book, poem book and experimental visual poem published in Rio de Janeiro in 1962 as an edition by the artist. The work is one of the fundamental achievements in the career of Wlademir Dias Pino and an important landmark in Brazilian investigations into visual poetry, graphic language, structure, signs, codes, reader participation and the transformation of words into visual information. This 1962 version was conceived as a box containing loose sheets and radically develops questions that the artist had previously investigated through typography, spatial organization of language and the visual construction of the poem.
The work is structured around the core word SOLIDA. Different verbal units are derived from this matrix and subjected to successive processes of recoding. Words, letters and positions gradually cease to function exclusively as elements of verbal reading and are transformed into points, lines, planes, graphs, forms and spatial relationships. The poem consequently develops a system in which linguistic information is translated into visual and structural codes.
The 1962 edition organizes this process through series of square plates and cards. The set contains five series of nine cards, with each card associated with the configuration of a word, together with introductory plates presenting procedures for recoding letters through graphic signs and statistical graphs. The sequence does not lead merely to conventional reading. Each transformation changes the way information is perceived and makes it possible to follow the transition from words toward increasingly abstract structures.
Materiality is an essential part of Solida. Screen printing, cutting and scoring on paper transform the sheets into manipulable surfaces. At particular stages, cuts and folds allow the work to move beyond the two dimensional plane and develop spatial and three dimensional relationships. Page, boundary, surface, cut, fold and volume cease to function merely as supports and become elements of the language of the poem itself.
The box and loose sheets also transform the traditional experience of the book. The reader does not encounter a fixed sequence determined exclusively by bound pages. Physical manipulation of the elements, comparison between series and recognition of correspondences among words, signs and forms turn reading into an active operation. Solida connects book, poem, object, graphic system and communication process.
Historically, the 1962 work corresponds to a second formulation of Solida. An earlier version had been presented as panels in the context of the National Exhibition of Concrete Art initiated in 1956. In the boxed edition, Wlademir Dias Pino expanded his investigation of coding and structure and transformed the poem into a manipulable ensemble of sheets, developing principles that would later become central to Poema Processo, the movement publicly launched in 1967.
The relationship between Solida and Poema Processo is therefore historical and conceptual. The 1962 edition predates the public establishment of the movement but already presents procedures that would later become fundamental, including the displacement of exclusive dependence on words, emphasis on structure, transformation of signs, reading as an operation, participation of the receiver and the possibility of generating versions from an informational matrix.
In Solida, Wlademir Dias Pino developed a conception of the poem as a system capable of producing transformations. Instead of treating the word as a final and immutable unit, the work demonstrates how verbal information can be dismantled, coded and reconstructed through different visual languages. This principle is essential for understanding the later importance of version and process within experiments associated with Poema Processo.
This particular copy has additional documentary importance because it preserves, together with the 1962 artistic ensemble, the box, the plates, an invitation associated with the launch of Solida and the original envelope of that invitation. The association between the artwork and documentation of its circulation makes it possible to study the artistic structure of the poem, its editorial presentation and material evidence related to its launch.
Solida is a primary source for research on Wlademir Dias Pino, Brazilian visual poetry, experimental poetry, artist books, poem books, graphic design, visual communication, semiotics, coding processes, reader participation, Brazilian constructive art and the historical antecedents of Poema Processo. Its structure demonstrates a pioneering investigation into relationships among word, image, information, support, reading, space and object in Brazilian art and poetry during the second half of the twentieth century.
Exemplar de Solida de Wlademir Dias Pino correspondente à edição do artista realizada no Rio de Janeiro em 1962. O conjunto preservado possui caixa com dimensão registrada de 20 × 20 cm e folhas ou cartões quadrados de aproximadamente 19 × 19 cm. Fonte institucional especializada registra a edição com 50 folhas e técnica de serigrafia, recorte e vinco sobre papel.
O conjunto é identificado como a segunda versão de Solida e contém cinco séries de nove cartões, além de pranchas introdutórias relacionadas aos sistemas de recodificação utilizados pelo artista. As nove unidades verbais derivadas da palavra núcleo são progressivamente convertidas em elementos como pontos, linhas, planos e estruturas espaciais. O processo permite acompanhar a transformação de informação verbal em informação visual.
A edição em caixa com folhas soltas foi lançada em 1962. Em depoimento posterior, Wlademir Dias Pino explicou que Solida desenvolvia a codificação até o limite do suporte, passando da tipografia para outros sinais e posteriormente para relações materiais e tridimensionais. Cortes e dobras presentes nas folhas integram essa passagem da superfície para o espaço.
A data de 1962 refere se a esta edição em caixa e não deve ser confundida com a versão anterior do poema apresentada em painéis no contexto da Exposição Nacional de Arte Concreta iniciada em 1956, nem com versões posteriores relacionadas ao desenvolvimento da obra. Uma versão de 1968 realizada por Álvaro de Sá e Wlademir Dias Pino é registrada como terceira versão do poema, confirmando a existência de diferentes estágios históricos de Solida.
Este exemplar possui documentação associada particularmente relevante, composta pelo convite de lançamento e pelo envelope original do convite. Esses elementos devem permanecer vinculados catalograficamente à obra, pois documentam sua apresentação e circulação e distinguem este conjunto de exemplares que preservam apenas as pranchas ou folhas.
O estado de conservação registrado indica boa preservação dos cartões, com presença de oxidação relacionada ao envelhecimento natural dos materiais. Recomenda se manter a caixa, todas as séries de cartões, as pranchas introdutórias, o convite e seu envelope registrados como componentes individualizados de um único conjunto documental, preservando sua sequência, dimensões e relações materiais.
TEXTO DE OBSERVAÇÃO INGLÊS
Copy of Solida by Wlademir Dias Pino corresponding to the artist edition produced in Rio de Janeiro in 1962. The preserved ensemble has a box recorded as measuring 20 × 20 cm and square sheets or cards measuring approximately 19 × 19 cm. A specialized institutional collection records the edition as containing 50 sheets and identifies the technique as screen printing, cutting and scoring on paper.
The ensemble is identified as the second version of Solida and contains five series of nine cards together with introductory plates related to the recoding systems developed by the artist. Nine verbal units derived from the core word are progressively converted into elements including points, lines, planes and spatial structures. This process makes it possible to follow the transformation of verbal information into visual information.
The boxed edition with loose sheets was launched in 1962. In a later interview, Wlademir Dias Pino explained that Solida developed coding toward the limits of the support, moving from typography to other signs and subsequently toward material and three dimensional relationships. Cuts and folds in the sheets participate in this transition from surface to space.
The date 1962 refers specifically to this boxed edition and should not be confused with the earlier version of the poem presented as panels within the context of the National Exhibition of Concrete Art initiated in 1956 or with later versions connected to the development of the work. A 1968 version by Álvaro de Sá and Wlademir Dias Pino is recorded as the third version of the poem, confirming the existence of distinct historical stages of Solida.
This particular copy preserves especially relevant associated documentation consisting of the launch invitation and the original envelope of the invitation. These components should remain catalogically linked to the work because they document its presentation and circulation and distinguish this ensemble from copies that preserve only the plates or loose sheets.
The recorded condition indicates that the cards are well preserved, with oxidation related to the natural aging of the materials. The box, all series of cards, introductory plates, invitation and envelope should be documented as individual components belonging to a single ensemble, preserving their sequence, dimensions and material relationships.
Inglês
Poem Solida
Dimensions: 7,5 x 7,5 in

![-IMG_5790[1].png -IMG_5790[1].png](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2024/5/2481/tb/2481.jpg)
![-IMG_5787[1].png -IMG_5787[1].png](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2024/5/2482/tb/2482.jpg)
![-IMG_5788[1].png -IMG_5788[1].png](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2024/5/2483/tb/2483.jpg)
![-IMG_5789[1].png -IMG_5789[1].png](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2024/5/2484/tb/2484.jpg)
![-IMG_5791[1].png -IMG_5791[1].png](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2024/5/2485/tb/2485.jpg)
![-IMG_5792[1].png -IMG_5792[1].png](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2024/5/2486/tb/2486.jpg)
![-IMG_5793[1].png -IMG_5793[1].png](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2024/5/2487/tb/2487.jpg)
![-IMG_5794[1].png -IMG_5794[1].png](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2024/5/2488/tb/2488.jpg)
![-IMG_5795[1].jpg -IMG_5795[1].jpg](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2024/5/2489/tb/2489.jpg)
![-IMG_5796[1].jpg -IMG_5796[1].jpg](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2024/5/2490/tb/2490.jpg)
![-IMG_5797[1].jpg -IMG_5797[1].jpg](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2024/5/2491/tb/2491.jpg)
![-IMG_5798[1].jpg -IMG_5798[1].jpg](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2024/5/2492/tb/2492.jpg)
![-IMG_5799[1].jpg -IMG_5799[1].jpg](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2024/5/2493/tb/2493.jpg)
![-IMG_5801[1].png -IMG_5801[1].png](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2024/5/2494/tb/2494.jpg)
![-IMG_5790[1].png -IMG_5790[1].png](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2026/9/9944/tb/9944.jpg)
![-IMG_5787[1].png -IMG_5787[1].png](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2026/9/9945/tb/9945.jpg)
![-IMG_5788[1].png -IMG_5788[1].png](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2026/9/9946/tb/9946.jpg)
![-IMG_5789[1].png -IMG_5789[1].png](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2026/9/9947/tb/9947.jpg)
![-IMG_5791[1].png -IMG_5791[1].png](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2026/9/9948/tb/9948.jpg)
![-IMG_5792[1].png -IMG_5792[1].png](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2026/9/9949/tb/9949.jpg)
![-IMG_5793[1].png -IMG_5793[1].png](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2026/9/9950/tb/9950.jpg)
![-IMG_5794[1].png -IMG_5794[1].png](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2026/9/9951/tb/9951.jpg)
![-IMG_5795[1].jpg -IMG_5795[1].jpg](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2026/9/9952/tb/9952.jpg)
![-IMG_5796[1].jpg -IMG_5796[1].jpg](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2026/9/9953/tb/9953.jpg)
![-IMG_5797[1].jpg -IMG_5797[1].jpg](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2026/9/9954/tb/9954.jpg)
![-IMG_5798[1].jpg -IMG_5798[1].jpg](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2026/9/9955/tb/9955.jpg)
![-IMG_5799[1].jpg -IMG_5799[1].jpg](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2026/9/9956/tb/9956.jpg)
![-IMG_5801[1].png -IMG_5801[1].png](https://poemaprocesso.com.br/upload/obra/2026/9/9957/tb/9957.jpg)