Colagem de Álvaro de Sá realizada nos anos 1960, inserida no campo da arte política, da poesia visual e da experimentação gráfica que se relaciona ao desenvolvimento do Poema Processo.
Álvaro de Sá
00211 - 1960s - Carta colagem
28,3 x 21,4 (folha) / 34,1 x 24,3
TEXTO SALSA EM PORTUGUÊS
Colagem de Álvaro de Sá realizada nos anos 1960, inserida no campo da arte política, da poesia visual e da experimentação gráfica que se relaciona ao desenvolvimento do Poema Processo. A obra utiliza recortes de revistas, palavras impressas, fragmentos publicitários, formas geométricas, elementos gráficos próximos de marcas e logotipos e intervenções manuscritas para construir uma linguagem visual baseada em associação, deslocamento e ruptura da leitura convencional.
Na região superior destaca se a palavra COROAS em grandes letras negras sobre fundo amarelo, seguida pela expressão EM PEDRA. Logo abaixo aparecem BATALHA e Destino, aplicadas sobre uma composição geométrica formada por áreas cinzentas, brancas e vermelhas. A combinação entre coroas, pedra, batalha e destino estabelece um campo semântico relacionado a poder, confronto, permanência, autoridade e transformação histórica.
No eixo central aparecem palavras como SANG, parcialmente associada a uma intervenção manuscrita, SOMBRAS, isolada, MOEDA, povo e Arte. A proximidade entre moeda, povo e arte é especialmente significativa. Ao colocar esses termos em uma mesma estrutura visual, Álvaro de Sá aproxima economia, sociedade e produção cultural, permitindo uma leitura política sobre circulação de valores, poder econômico, representação coletiva e função social da arte.
A palavra MOEDA aparece verticalmente e em grande destaque. Sua posição transforma o termo em elemento estrutural da composição e reforça a presença da economia dentro do poema visual. Próximo dela aparecem povo e Arte, formando uma sequência de associações na qual dinheiro, coletividade e criação artística compartilham o mesmo campo de leitura.
Na parte inferior esquerda encontra se uma imagem geométrica formada por um quadrado inclinado com tonalidades verdes e azuis e uma estrela branca central. Esse elemento possui aparência próxima de emblemas, símbolos institucionais ou identidades gráficas e contribui para a discussão sobre marcas, signos públicos e sistemas visuais de reconhecimento.
Na região inferior direita aparece outra composição gráfica de forte caráter geométrico, formada por polígonos amarelos, verdes e negros. Sobre ela encontra se a palavra VOLTA em vermelho. A presença de formas semelhantes a identidades visuais comerciais ou institucionais reforça o interesse da obra pela apropriação de códigos visuais que circulam na publicidade e na comunicação de massa.
Na parte inferior da composição aparecem ainda CHUVA DE, futuro e HOJE. A aproximação entre futuro e hoje produz uma tensão temporal importante. O futuro deixa de ser apresentado como algo distante e passa a ser colocado em relação direta com o presente. Essa oposição entre tempo projetado e tempo imediato é reforçada pela palavra VOLTA, sugerindo movimentos de avanço, retorno e transformação.
A colagem utiliza materiais provenientes de contextos heterogêneos e os transforma em um novo sistema de signos. Palavras, cores, formas, marcas visuais e posições espaciais não possuem apenas função decorativa. Cada elemento participa de uma rede de significados que exige leitura ativa por parte do observador.
No contexto dos anos 1960, a presença de termos como batalha, povo, moeda, futuro, hoje, coroas e destino permite situar a obra dentro de um campo de reflexão política e social. A composição não apresenta uma mensagem partidária direta, mas produz relações entre poder, economia, sociedade, arte e história por meio da desmontagem e recombinação da linguagem da comunicação de massa.
A obra também é relevante para compreender como Álvaro de Sá transforma marcas, símbolos e elementos próximos de logotipos em matéria poética. A identidade visual, originalmente destinada a tornar mensagens e produtos imediatamente reconhecíveis, é deslocada para uma estrutura artística na qual seu significado se torna aberto, ambíguo e crítico.
Documento importante para pesquisas sobre Álvaro de Sá, Poema Processo, poesia visual brasileira, poesia experimental, arte política, colagem, marcas, logotipos, identidade visual, publicidade, comunicação de massa, economia, moeda, povo, poder, batalha, futuro, arte, semiótica, apropriação gráfica, linguagem visual e vanguardas brasileiras dos anos 1960.
TEXTO SALSA EM INGLÊS
Collage by Álvaro de Sá produced during the 1960s and situated within the fields of political art, visual poetry and graphic experimentation related to the development of Poema Processo. The work uses magazine cuttings, printed words, advertising fragments, geometric forms, graphic elements resembling brands and logos and handwritten interventions to construct a visual language based on association, displacement and the disruption of conventional reading.
In the upper area the word COROAS appears prominently in large black letters against a yellow background, followed by the expression EM PEDRA. Below are BATALHA and Destino, applied over a geometric composition formed by gray, white and red areas. The combination of crowns, stone, battle and destiny establishes a semantic field related to power, confrontation, permanence, authority and historical transformation.
Along the central axis appear words such as SANG, partially associated with a handwritten intervention, SOMBRAS, isolated, MOEDA, povo and Arte. The proximity between currency, people and art is particularly significant. By placing these terms within the same visual structure, Álvaro de Sá connects economics, society and cultural production, allowing a political reading concerning the circulation of values, economic power, collective representation and the social function of art.
The word MOEDA appears vertically and with strong visual emphasis. Its position transforms the term into a structural element of the composition and reinforces the presence of economics within the visual poem. Nearby are povo and Arte, creating a sequence of associations in which money, collective identity and artistic creation share the same field of interpretation.
In the lower left area there is a geometric image formed by a tilted square in green and blue tones with a white star at the center. This element resembles emblems, institutional symbols or graphic identities and contributes to the discussion of brands, public signs and systems of visual recognition.
In the lower right area another strongly geometric composition appears, formed by yellow, green and black polygons. The word VOLTA in red is placed over this structure. The presence of forms resembling commercial or institutional visual identities reinforces the work's interest in appropriating visual codes circulating through advertising and mass communication.
The lower area also contains CHUVA DE, futuro and HOJE. The proximity between future and today creates an important temporal tension. The future is no longer presented as something distant but is placed in direct relationship with the present. This opposition between projected time and immediate time is reinforced by the word VOLTA, suggesting movements of advance, return and transformation.
The collage uses materials originating from heterogeneous contexts and transforms them into a new system of signs. Words, colors, forms, visual brands and spatial positions do not perform merely decorative functions. Each element participates in a network of meanings that requires active interpretation by the viewer.
Within the context of the 1960s, the presence of terms such as battle, people, currency, future, today, crowns and destiny situates the work within a field of political and social reflection. The composition does not offer a direct partisan message but creates relationships among power, economics, society, art and history through the dismantling and recombination of the language of mass communication.
The work is also important for understanding how Álvaro de Sá transforms brands, symbols and logo like elements into poetic material. Visual identity, originally intended to make messages and products immediately recognizable, is displaced into an artistic structure in which meaning becomes open, ambiguous and critical.
This document is important for research on Álvaro de Sá, Poema Processo, Brazilian visual poetry, experimental poetry, political art, collage, brands, logos, visual identity, advertising, mass communication, economics, currency, people, power, battle, future, art, semiotics, graphic appropriation, visual language and Brazilian avant garde practices of the 1960s


