Primeira Exposição Nacional de Poema Processo 1967
A Primeira Exposição Nacional de Poema Processo, realizada em dezembro de 1967, marca um momento fundamental na história das vanguardas brasileiras e é considerada o marco público de lançamento do movimento Poema Processo. A mostra foi apresentada simultaneamente no Rio de Janeiro, na Escola Superior de Desenho Industrial, ESDI, e em Natal, no Museu do Sobradinho, atual Museu Café Filho, estabelecendo desde sua origem uma articulação entre diferentes centros de produção experimental no Brasil. A abertura em Natal ocorreu em 11 de dezembro de 1967.
O Poema Processo surgiu em um contexto de intensa transformação artística, cultural e política, propondo uma ruptura com as formas tradicionais da poesia e com os modelos convencionais de leitura. O movimento colocou em primeiro plano a dimensão visual, estrutural, material e processual do poema, ampliando as relações entre palavra, imagem, signo, objeto, espaço gráfico e participação do leitor.
Entre os nomes centrais ligados à formação e ao desenvolvimento inicial do movimento estão Wlademir Dias Pino, Alvaro de Sá, Neide de Sá, Moacy Cirne e outros artistas e poetas experimentais que contribuíram para consolidar uma pesquisa coletiva voltada à renovação da linguagem poética e visual. A primeira exposição tornou visível esse conjunto de propostas e abriu caminho para a expansão nacional do Poema Processo nos anos seguintes.
A exposição de 1967 deve ser compreendida não apenas como uma mostra coletiva, mas como um acontecimento histórico de afirmação de uma nova linguagem de vanguarda. As obras apresentadas rompiam com a ideia do poema limitado ao texto verbal e exploravam estruturas gráficas, sequências visuais, códigos, sinais, procedimentos de montagem e possibilidades de transformação da obra.
A partir dessa primeira manifestação pública, o Poema Processo ampliou sua presença no Brasil, alcançando outros estados e estabelecendo relações com artistas e poetas experimentais da América Latina e de outros países. A circulação dessas propostas contribuiu para aproximar o movimento de campos como a poesia visual, a arte postal, o livro de artista, a comunicação gráfica e outras práticas experimentais desenvolvidas durante as décadas de 1960 e 1970.
A Primeira Exposição Nacional de Poema Processo de 1967 ocupa, portanto, uma posição central na cronologia do movimento. Ela representa o momento em que pesquisas desenvolvidas por seus participantes passaram a ser apresentadas publicamente como parte de uma ação coletiva e de uma nova concepção do poema enquanto estrutura visual, objeto e processo.
Os documentos, convites, obras e registros relacionados a esta exposição constituem fontes primárias fundamentais para o estudo do nascimento e da consolidação do Poema Processo. Preservados no Arquivo do Poema Processo, esses materiais permitem reconstruir a história da exposição, identificar seus participantes, compreender suas redes de colaboração e acompanhar a formação de uma das experiências mais importantes da poesia experimental e da vanguarda artística brasileira da segunda metade do século XX.
The First National Poema Processo Exhibition, held in December 1967, represents a fundamental moment in the history of the Brazilian avant garde and is widely recognized as the public launch of the Poema Processo movement. The exhibition was presented in Rio de Janeiro, at the Escola Superior de Desenho Industrial, ESDI, and in Natal, at the Museu do Sobradinho, establishing from its origins a connection between different centers of experimental artistic production in Brazil.
Poema Processo emerged during a period of intense artistic, cultural, and political transformation, proposing a break with traditional forms of poetry and conventional models of reading. The movement emphasized the visual, structural, material, and process based dimensions of the poem, expanding the relationships between word, image, sign, object, graphic space, and reader participation.
Among the central figures associated with the formation and early development of the movement were Wlademir Dias Pino, Alvaro de Sá, Neide de Sá, Moacy Cirne, and other experimental artists and poets who contributed to consolidating a collective investigation focused on the renewal of poetic and visual language. The 1967 exhibition brought these proposals into public view and helped establish the foundations for the national expansion of Poema Processo in the following years.
The exhibition should be understood not only as a collective art event, but as a historical statement affirming a new avant garde language. The works associated with Poema Processo challenged the idea of poetry as something restricted to verbal text and explored graphic structures, visual sequences, codes, signs, systems of organization, and processes of transformation.
Following this first public manifestation, Poema Processo expanded its presence across Brazil and developed connections with experimental artists and poets in Latin America and other countries. These networks contributed to broader dialogues involving visual poetry, mail art, artist books, graphic communication, conceptual practices, and other forms of experimental art developed during the 1960s and 1970s.
The First National Poema Processo Exhibition of 1967 therefore occupies a central position in the chronology of the movement. It represents the moment when research carried out by its participants began to be publicly presented as part of a collective action and as a new conception of the poem understood as visual structure, object, system, and process.
Documents, invitations, artworks, publications, and historical records related to the exhibition are primary sources for the study of the origins and consolidation of Poema Processo. Preserved within the Poema Processo Archive, these materials contribute to reconstructing the history of the exhibition, identifying its participants, understanding its networks of collaboration, and documenting one of the most significant experiences in Brazilian experimental poetry and avant garde art of the second half of the twentieth century.
