Gianni Tonoli - Italia
BIOGRAFIA EM PORTUGUÊSGianni Tonoli é um artista italiano ligado à poesia visual, poesia experimental, Mail Art, livro de artista, publicação experimental, arte conceitual e práticas gráficas de comunicação desenvolvidas principalmente entre o final da década de 1970 e o início da década de 1980. A documentação localizada associa sua atividade à cidade de Brescia, Itália, e registra sua participação em redes internacionais de arte postal que conectavam artistas europeus, latino americanos, norte americanos e asiáticos. Data e local de nascimento, formação acadêmica, professores e data de falecimento não foram localizados com segurança nas fontes consultadas. A documentação conhecida, entretanto, permite situar Tonoli de maneira consistente no ambiente italiano de experimentação visual e nas redes internacionais de correspondência artística.Um dos documentos mais importantes atualmente identificados de sua produção é o livro de artista Contro Tutte le Regole Armoniche Queste Avventure, datado de 1979 e composto por 15 páginas. O exemplar preservado apresenta textos datilografados, fotografias apropriadas ou reproduzidas, desenhos, grades gráficas, montagens, intervenções manuais e carimbos Come Arte. As páginas conhecidas revelam uma prática na qual texto e imagem não funcionam separadamente, mas formam unidades conceituais construídas por associação, repetição, deslocamento e contraste.Na abertura conhecida de Contro Tutte le Regole Armoniche Queste Avventure, Tonoli dispõe as palavras Contro Tutte le Regole Armoniche e Queste Avventure sobre uma extensa grade irregular. A malha gráfica sofre deformações e contém áreas preenchidas, enquanto uma grade menor aparece sobreposta à estrutura principal. A oposição entre a referência verbal às regras harmônicas e uma organização visual deliberadamente instável permite compreender o livro como investigação sobre regra, sistema, desordem, linguagem e percepção.Outras páginas do mesmo livro combinam textos, fotografias e conceitos de identidade. Em uma composição aparece a formulação Animale astuto, diffidentissimo e solitario, acompanhada das palavras Anacoreta e Innominato. Em outra, o nome Ester Manessi aparece sob uma fotografia e antecede uma sequência textual formada por Vedere, Guardare, Osservare, Scrutare e Spiare, seguida pela afirmação de que ver não significa compreender e pela proposição de que o amor permite compreender. A disposição das palavras transforma a leitura em operação visual e conceitual.Outra composição do livro apresenta o título Historia del Terreno Comune sobre uma imagem semicircular semelhante a uma paisagem submetida a intensa transformação gráfica. Em outra página, uma fotografia de multidão é combinada com um texto sobre Estado, existência e diferentes papéis humanos, mencionando mimi, acrobatas, mergulhadores, virtuoses, andarilhos, corsários, malabaristas, gregários e navegadores. Museus, cinema e concertos também aparecem no texto, aproximando a reflexão poética de temas sociais e culturais. O carimbo Come Arte surge em diferentes páginas e atua simultaneamente como marca gráfica e questionamento conceitual sobre a definição de arte.Também em 1979 há registro comercial documental de uma peça de Gianni Tonoli produzida em Brescia em homenagem a Guglielmo Achille Cavellini. A existência desse trabalho evidencia uma relação direta com o ambiente experimental de Brescia e com Cavellini, figura central da autohistoricização, da correspondência artística e das redes alternativas italianas.Em 1980 Gianni Tonoli participou da International Mail Art Exhibition realizada de 27 de setembro a 24 de outubro na Galleria Mastrogiacomo Images 70, em Pádua, organizada em colaboração com Gino Gini. O arquivo Lomholt registra seu nome entre uma extensa rede internacional de participantes. Uma obra enviada por Tonoli para esse circuito, intitulada Opere d'arte che saranno famose, é documentada como técnica mista sobre cartão postal, medindo 15 por 14,5 centímetros, assinada na frente e com assinatura e título no verso. A documentação confirma que a peça fazia parte do conjunto de Mail Art enviado a Gino Gini para a exposição de Pádua.Essa obra é particularmente significativa porque demonstra a utilização consciente do cartão postal como suporte artístico e do sistema de correspondência como meio de circulação. O título Opere d'arte che saranno famose aproxima Tonoli do ambiente conceitual de Guglielmo Achille Cavellini e das reflexões sobre autoria, fama, sistema artístico, circulação e legitimação que caracterizaram parte da produção experimental italiana daquele período.Em 1981 Tonoli aparece em documentação de projetos internacionais de Mail Art. A revista Umbrella registrou seu endereço como Via Caleppe 7, Brescia, Itália, associado ao conceito Poetry Museum. O anúncio solicitava contato com Gianni Tonoli especificamente em relação a esse projeto, constituindo uma evidência importante de que sua atividade não se restringia à produção de objetos postais, mas incluía também a proposição de projetos conceituais dedicados à poesia e à formação de redes.Ainda em 1981 seu nome aparece na documentação de Messages 81, em um amplo circuito internacional que reúne artistas como Paulo Bruscky, Edgardo Antonio Vigo, Graciela Gutiérrez Marx, Leon Ferrari, Alex Flemming, Guillermo Deisler, Robert Rehfeldt, Ruth Wolf Rehfeldt, Vittore Baroni, Guglielmo Achille Cavellini, Giovanni Fontana, Nicola Frangione, Ruggero Maggi, Ulises Carrión e numerosos outros participantes da rede internacional. A presença de Tonoli nesse conjunto permite situá lo dentro de uma rede transnacional efetiva de circulação artística, e não apenas dentro de um contexto regional italiano.Um dos marcos mais relevantes para a compreensão da relação de Gianni Tonoli com o Brasil é sua participação na seção de Arte Postal da 16ª Bienal de São Paulo, realizada em 1981. O catálogo da exposição registra Tonoli entre os participantes da grande mostra internacional de Mail Art. Uma pesquisa acadêmica baseada no acervo histórico da Fundação Bienal também reproduz seu nome entre os artistas daquele núcleo. O Centro Cultural São Paulo mantém atualmente Gianni Tonoli identificado como artista em seu sistema de acervos, evidenciando a permanência de documentação relacionada a ele em uma instituição pública brasileira.A presença na 16ª Bienal de São Paulo coloca Tonoli em contato documental com um dos mais importantes episódios de institucionalização da Mail Art no Brasil. A exposição reuniu participantes de diversos países e incluiu numerosos artistas brasileiros ligados à arte postal e à experimentação conceitual. A presença de Tonoli nesse contexto é especialmente relevante para estudos sobre intercâmbio entre Itália e Brasil no período.Em 1982 o nome de Gianni Tonoli foi incluído no World Art Atlas elaborado no contexto das redes de Guy Bleus. O documento reúne artistas de numerosos países e registra Tonoli entre importantes participantes italianos como Vittore Baroni, Mirella Bentivoglio, Guglielmo Achille Cavellini, Giovanni Fontana, Nicola Frangione, Ruggero Maggi, Enzo Minarelli, Emilio Morandi e Piermario Ciani. O mesmo documento inclui brasileiros como Paulo Bruscky, Avelino de Araújo, Leonhard Frank Duch e outros integrantes das redes de correspondência.Essa documentação reforça a posição de Tonoli dentro do que posteriormente passou a ser estudado como uma rede internacional de Mail Art e networking. Sua atividade demonstra características fundamentais desse campo, como descentralização, circulação postal, uso de endereços pessoais, intercâmbio direto entre artistas, produção de múltiplos, cartões postais, impressos, publicações experimentais e projetos abertos à participação.Em 1985 há também registro de um Gianni Tonoli entre os participantes da exposição coletiva Memoria della Resistenza, inaugurada em 18 de maio na Galleria UCAI, em Brescia. A coincidência de nome e cidade é consistente com o artista aqui estudado, mas a fonte consultada não fornece dados biográficos adicionais que permitam demonstrar de forma independente a identidade do participante. Por isso, essa ocorrência deve ser mantida como registro documental associado, com a ressalva de identificação.A produção atualmente conhecida de Gianni Tonoli articula poesia visual, imagem apropriada, fotografia, texto datilografado, desenho, colagem, técnica mista, cartão postal, carimbo, publicação de artista e livro de artista. Seus trabalhos evidenciam interesse pela relação entre signo verbal e signo visual, pela transformação da página em espaço de pensamento e pela circulação da obra como forma de comunicação.Não foi localizada evidência de que Gianni Tonoli tenha pertencido ao movimento histórico brasileiro Poema Processo. Sua relação com o Poema Processo deve ser estabelecida de maneira comparativa e documental, a partir de campos compartilhados como poesia visual, experimentação semiótica, integração entre palavra e imagem, publicação alternativa e circulação internacional de proposições artísticas. A participação de Tonoli na 16ª Bienal de São Paulo e sua presença em redes que incluíam Paulo Bruscky, Falves Silva, Edgardo Antonio Vigo, Guillermo Deisler e outros artistas latino americanos estabelecem conexões históricas relevantes sem justificar sua classificação como integrante do Poema Processo.A importância histórica de Gianni Tonoli reside sobretudo em sua presença documentada no momento de expansão internacional da Mail Art entre o final da década de 1970 e o início da década de 1980. O livro Contro Tutte le Regole Armoniche Queste Avventure, o projeto Poetry Museum, a obra Opere d'arte che saranno famose, sua participação na exposição internacional de Pádua, na 16ª Bienal de São Paulo, em Messages 81 e no World Art Atlas constituem um conjunto coerente de evidências sobre uma prática situada entre poesia experimental, arte postal, livro de artista e comunicação em rede.
