Grupo Texto Poetico - A.Helas , Bartolomé Ferrando , David Pérez - Valencia , Espanha
O Grupo Texto Poético foi um coletivo de poesia experimental criado em Valência, Espanha, durante a segunda metade da década de 1970. Sua atuação esteve concentrada na poesia visual, poesia concreta, poesia objeto, poesia fonética, poesia sonora, poesia de ação, performance, publicação experimental e circulação postal de obras. As fontes consultadas registram Bartolomé Ferrando e David Pérez como seus integrantes mais constantes e responsáveis por diferentes publicações e iniciativas. A publicação de 1979 também relaciona Mercedes Calpe e Rosa Sanz como integrantes fundadores ou colaboradores do grupo. A documentação disponível não permite estabelecer com segurança uma única data formal de fundação, mas comprova atividades e correspondências desde 1977 e 1978.O nome do coletivo aparece em espanhol como Grupo Texto Poético e em catalão como Grup Text Poètic. O grupo desenvolveu uma prática intermediária situada entre escrita, imagem, objeto, gesto, voz, corpo, música experimental e comunicação postal. Em vez de tratar o poema exclusivamente como composição literária impressa, seus integrantes exploraram a página, o espaço, os materiais gráficos, a ação e a participação do público como componentes da linguagem poética.A principal realização editorial do grupo foi a revista e publicação seriada Texto Poético, produzida em Valência entre 1977 e 1989. Bartolomé Ferrando registra nove números publicados nesse período. O Museu de Arte Contemporânea de Barcelona preserva a série em seu Centro de Estudos e Documentação e a classifica como publicação seriada vinculada à poesia experimental e à poesia visual espanhola. Os números conhecidos apresentam textos poéticos e poemas visuais em folhas soltas, pastas e caixas, algumas vezes realizados com materiais, tintas, recortes, dobraduras e técnicas diversas. Parte das contribuições foi publicada sem assinatura individual, enfatizando a dimensão coletiva da experiência editorial.Os primeiros quatro números de Texto Poético foram reunidos em uma edição publicada em Pamplona pela editora Euskal Bidea, em 1979, na coleção Nueva Escritura. Essa edição associa ao Grupo Texto Poético os nomes de Mercedes Calpe, Bartolomé Ferrando, David Pérez e Rosa Sanz. O conjunto reunia poesia visual, textos, imagens, fac símiles, intervenções materiais e experiências com o objeto impresso, documentando o interesse do grupo em ultrapassar os limites convencionais do livro e da revista literária.A série continuou com Texto Poético número 5, datado de 1979 pelo MACBA, Texto Poético número 6, de 1981, Texto Poético número 7, de 1982, Texto Poético número 8, de 1985, e Texto Poético número 9, de 1989. O número 6 foi editado em Valência por Copias Imprenta Instantánea e estruturado como uma pasta contendo lâminas, um pequeno caderno, papéis impressos em diversas cores e um envelope com outras composições. Esse formato confirma o caráter de publicação de artista e obra múltipla da série.O Grupo Texto Poético também participou de projetos coletivos de circulação ampliada. Em 1981 integrou 3 x 3 = 3, projeto de poesia experimental associado a J. M. Calleja e Gustavo Vega, preservado no MACBA e classificado no campo da poesia visual e da mail art. No mesmo ano participou da publicação de artista Teoria. 81, ao lado de autores como Pablo del Barco, J. M. Calleja, Xavier Canals, Antonio Gómez, José Antonio Sarmiento, Jordi Vallès, Gustavo Vega e Francesc Vidal. Essas relações situam o grupo dentro de uma rede espanhola de poesia experimental e edição independente.Em março de 1982, Bartolomé Ferrando e David Pérez colaboraram com a Universidade de Valência na realização do Ciclo de sobre Poesía Experimental. O programa abordava caligrama, poesia concreta, poesia visual, poesia fonética, poesia sonora, Fluxus e poesia de ação. Também anunciava a apresentação de Diez Poemas de Acción pelo Grupo Texto Poético. A iniciativa demonstra que o coletivo não atuava somente por meio de objetos impressos, mas também no campo da ação poética, da performance e da formação de público.Uma das iniciativas de maior alcance histórico ocorreu em 1982 na Sala Parpalló, instituição administrada pela Diputación Provincial de Valencia. O projeto foi promovido pelo Grupo Texto Poético, representado por Bartolomé Ferrando e David Pérez, juntamente com Arthur Heras, identificado nas fontes e no documento enviado a Falves Silva como A. Heras, diretor da Sala Parpalló. Aproximadamente trezentos poetas experimentais foram convidados a enviar obras especialmente concebidas para a exposição. A mostra reuniu cerca de duzentos participantes de vinte e cinco países e aproximadamente seiscentas obras originais, organizadas em modalidades como poesia concreta, espacialista, visual, visiva, fonética, sonora e de ação. As obras permaneceram como fundo da Diputación Provincial de Valencia por decisão dos participantes.Arthur Heras, cujo nome aparece abreviado como A. Heras, exerceu função institucional decisiva nessa iniciativa como diretor da Sala Parpalló. A documentação localizada não confirma que ele tenha sido integrante permanente do Grupo Texto Poético. Sua relação comprovada é a de colaborador, dirigente da instituição anfitriã e articulador da exposição internacional de poesia experimental realizada em 1982. Por essa razão, A. Heras deve ser relacionado ao grupo no cadastro do Salsa sem ser automaticamente classificado como membro fundador.O cartão enviado a Falves Silva integra esse contexto internacional. O verso apresenta a identificação Valencia, Febrer 1982, agradecimentos pela participação em catalão, espanhol, francês e inglês, a indicação Postal número 4, referências ao Grupo Texto Poético, a A. Heras como diretor da Sala Parpalló e as assinaturas de Bartolomé Ferrando e David Pérez. O objeto recebeu carimbo postal de Valência em 24 de fevereiro de 1982 e foi destinado a Falves Silva em Natal, Rio Grande do Norte, Brasil.Na frente do cartão foi utilizada uma página identificada como Poesía china, contendo um poema atribuído a Li Po em espanhol. Trechos impressos foram cobertos por faixas negras e, sobre a página, foi acrescentada manualmente a pergunta qué es la poesía visual. A intervenção converte a página literária em poesia visual por meio de apagamento, interrupção da leitura, silêncio, ilegibilidade e reorganização gráfica. A peça constitui simultaneamente obra, correspondência, agradecimento de participação e documento de circulação internacional.A correspondência com Falves Silva demonstra que o Grupo Texto Poético mantinha contato com artistas latino americanos vinculados à poesia experimental e à arte postal. Falves Silva, participante histórico do Poema Processo no Brasil, aparece como destinatário e colaborador de uma iniciativa organizada em Valência. O cartão estabelece uma conexão documental entre o Poema Processo brasileiro, a mail art internacional e a poesia experimental espanhola no início da década de 1980.O alcance postal do grupo também é comprovado pelas correspondências mantidas com Joan Brossa. O Fundo Joan Brossa do MACBA conserva cartas enviadas pelo Grupo Texto Poético em 1978, 1980 e 1989. Esses documentos revelam uma rede contínua de comunicação entre o coletivo valenciano e um dos principais nomes da poesia visual e da poesia objeto catalã.Bartolomé Ferrando, nascido em Valência em 1951, desenvolveu posteriormente uma extensa trajetória como poeta visual, performer, pesquisador, professor de performance e arte intermídia e coordenador de Texto Poético. Sua atuação internacional em festivais, exposições e encontros contribuiu para prolongar os princípios experimentais desenvolvidos no contexto do grupo. David Pérez aparece documentado como integrante, editor, colaborador e participante das publicações e atividades do Grupo Texto Poético. Nas fontes consultadas, foram localizadas menos informações biográficas individuais sobre David Pérez do que sobre Bartolomé Ferrando, razão pela qual não devem ser acrescentados dados pessoais sem comprovação documental.A importância histórica do Grupo Texto Poético reside na articulação entre poesia visual, publicação de artista, performance e redes alternativas de correspondência. Seu trabalho integrou a renovação da poesia experimental espanhola após o franquismo e colocou Valência em contato com artistas, poetas e arquivos de diferentes países. A série Texto Poético, as ações realizadas em universidades e espaços culturais, as exposições internacionais e as correspondências preservadas em coleções públicas demonstram uma atuação que ultrapassou o âmbito regional.O legado do grupo permanece em acervos como o Centro de Estudos e Documentação do MACBA, o Fundo Joan Brossa e a coleção de livros e publicações de artista da Universitat Politècnica de València. A presença de um cartão enviado a Falves Silva amplia esse mapa documental e registra a conexão direta entre o Grupo Texto Poético, a poesia experimental valenciana, a arte postal brasileira e a história internacional do Poema Processo.
