Home Acervo Recorte do jornal O Globo, datado de 14 de março de 1976, com a matéria Consome me ou te devoro, escrita por Marcia Brito, jornalista e poeta experimental, dedicada ao lançamento e à análise crítica do livro Consumito, de Joaquim Branco.

Recorte do jornal O Globo, datado de 14 de março de 1976, com a matéria Consome me ou te devoro, escrita por Marcia Brito, jornalista e poeta experimental, dedicada ao lançamento e à análise crítica do livro Consumito, de Joaquim Branco.

Joaquim Branco

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Categoria: Jornal - Lancamento de livro

Acervo: 04605

Data: 14 de março de 1976

Dimensões: 29,7 x 21 cm

Recorte do jornal O Globo, datado de 14 de março de 1976, com a matéria Consome me ou te devoro, escrita por Marcia Brito, jornalista e poeta experimental, dedicada ao lançamento e à análise crítica do livro Consumito, de Joaquim Branco. O documento constitui importante registro de época sobre a circulação de Consumito e sobre a inserção de Joaquim Branco no campo da poesia experimental brasileira durante a década de 1970.

A ficha apresentada junto à matéria identifica Joaquim Branco como autor de Consumito, publicado pela Editora do Autor, com 110 páginas e preço de 30 cruzeiros. O artigo apresenta o livro como uma crítica aos apelos da sociedade contemporânea e afirma que Consumito se estrutura em duas partes distintas, relacionadas à influência do Poema Processo e à poesia concreta.

Marcia Brito inicia sua análise discutindo uma sociedade na qual a ação se transforma em produto de consumo imediato e indiscriminado. Nesse contexto, o homem moderno aparece condicionado pelos sistemas de informação e pelo consumo. A poesia de Joaquim Branco é interpretada como uma resposta crítica a essa realidade, procurando estabelecer relações entre linguagem, informação, criação poética e sociedade.

O artigo incorpora uma reflexão do poeta e crítico José Neumanne Pinto sobre a função de uma poética adequada à realidade contemporânea, relacionando a pesquisa de ideias às linguagens e à procura de novas formas de informação. Joaquim Branco é apresentado como artista capaz de perceber os sinais dessa realidade social e transformá los em matéria de experimentação poética.

A matéria registra referências importantes para a formação e para o universo literário de Joaquim Branco. São citados Mario Faustino, Haroldo de Campos, Augusto de Campos, Mallarmé, E. E. Cummings, James Joyce, Ezra Pound e Vladimir Maiakovski, demonstrando a inserção de sua produção em um amplo campo de referências da poesia moderna, concreta e experimental.

Também são mencionadas produções anteriores de Joaquim Branco, entre elas Convenções de Iara, Chaves em mãos e Mundo de Édipo, formando uma pequena cronologia de sua produção antes do lançamento de Consumito.

Segundo a matéria, a primeira parte de Consumito reúne 25 poemas produzidos entre 1962 e 1974. O texto destaca a influência de João Cabral de Melo Neto, especialmente observada no poema Exercício do rei. Outro poema citado é O Homem do elevador, utilizado pela crítica para demonstrar a construção verbal, o ritmo e o caráter crítico presentes na poesia de Joaquim Branco.

A poesia concreta ocupa praticamente toda a primeira parte do livro. Marcia Brito menciona trabalhos como Heráclito, Bashô, Anacreonte, Direções, Natal Nepal e Tovetati, ressaltando o espaço em branco do papel como elemento ativo na construção do poema e a ligação da palavra com movimentos, direções e organização espacial.

A segunda parte do livro é identificada como Processos e começa com o poema Decomposição. Segundo o artigo, Joaquim Branco parte da decomposição da palavra silêncio para construir um novo poema destinado ao leitor. A descrição evidencia princípios fundamentais do Poema Processo, como transformação, sequência, participação do leitor, desmontagem da linguagem verbal e produção de novos sentidos por meio da estrutura visual.

A essa seção seguem mais 24 poemas experimentais considerados de grande importância, apresentados como pesquisas de novas linguagens. A crítica destaca que Joaquim Branco observa os mitos do consumo e transfere seus símbolos para poemas processo.

A análise afirma que Joaquim Branco é o próprio processo e que o último poema não encerra efetivamente o livro. Entre os exemplos comentados aparece o poema Out Indoo R, descrito como a representação do corpo de uma mulher saindo de uma gigantesca garrafa de Coca Cola. A imagem é interpretada como comentário crítico sobre a mulher transformada em objeto dentro da sociedade de consumo.

A matéria associa Consumito a uma leitura crítica da sociedade de consumo e ressalta a transformação da própria estrutura do livro em espaço de participação do leitor. O final aberto amplia o poema para além da página e reforça uma das características centrais do Poema Processo, segundo a qual a obra permanece como estrutura transformável e potencialmente continuada por quem a recebe.

O recorte de O Globo de 14 de março de 1976 constitui, portanto, uma fonte primária fundamental para a pesquisa sobre Joaquim Branco, Consumito, Poema Processo, poesia concreta, poesia visual brasileira, poesia experimental, sociedade de consumo, livro de artista e experimentação gráfica no Brasil dos anos 1960 e 1970.

Salsa text in English

Newspaper clipping from O Globo dated March 14, 1976, featuring the article Consome me ou te devoro, written by Marcia Brito, journalist and experimental poet, and devoted to the publication and critical analysis of Consumito by Joaquim Branco. The document is an important contemporary record of the circulation of Consumito and of the position of Joaquim Branco within Brazilian experimental poetry during the 1970s.

The bibliographical information accompanying the article identifies Joaquim Branco as the author of Consumito, published by Editora do Autor, with 110 pages and a price of 30 cruzeiros. The article presents the book as a critique of the pressures of contemporary society and explains that Consumito is structured in two distinct sections associated with Poema Processo and concrete poetry.

Marcia Brito begins her analysis by discussing a society in which action becomes a product of immediate and indiscriminate consumption. Within this environment, modern individuals are presented as conditioned by information systems and consumer culture. The poetry of Joaquim Branco is interpreted as a critical response to this reality through relationships between language, information, poetic creation and society.

The article includes a reflection by poet and critic José Neumanne Pinto concerning the role of a poetic practice appropriate to contemporary reality, connecting the investigation of ideas with language and the search for new forms of information. Joaquim Branco is presented as an artist capable of recognizing the signs of this social reality and transforming them into poetic experimentation.

The article records important references in the formation and literary universe of Joaquim Branco. Mario Faustino, Haroldo de Campos, Augusto de Campos, Mallarmé, E. E. Cummings, James Joyce, Ezra Pound and Vladimir Mayakovsky are mentioned, placing his work within a broad network of modern, concrete and experimental poetry.

Earlier works by Joaquim Branco are also mentioned, including Convenções de Iara, Chaves em mãos and Mundo de Édipo, creating a brief chronology of his production before the publication of Consumito.

According to the article, the first part of Consumito contains 25 poems produced between 1962 and 1974. The text emphasizes the influence of João Cabral de Melo Neto, particularly in the poem Exercício do rei. Another work discussed is O Homem do elevador, used by the critic to demonstrate verbal construction, rhythm and the critical dimension of Joaquim Branco's poetry.

Concrete poetry occupies almost the entire first section of the book. Marcia Brito mentions works such as Heráclito, Bashô, Anacreonte, Direções, Natal Nepal and Tovetati, emphasizing the blank space of the page as an active component of poetic construction and the relationship between words, movement, direction and spatial organization.

The second part of the book is identified as Processos and begins with the poem Decomposição. According to the article, Joaquim Branco starts from the decomposition of the word silêncio and creates a new poem for the reader. This description reveals fundamental principles of Poema Processo, including transformation, sequence, reader participation, dismantling of verbal language and the creation of new meanings through visual structure.

This section is followed by another 24 experimental poems presented as important investigations into new languages. The critic emphasizes the attention Joaquim Branco gives to the myths and symbols of consumer culture and their transformation into process poems.

The analysis states that Joaquim Branco himself becomes the process and that the final poem does not actually close the book. Among the examples discussed is Out Indoo R, described as presenting the body of a woman emerging from a gigantic Coca Cola bottle. The image is interpreted as a critical commentary on the transformation of women into objects within consumer society.

The article therefore connects Consumito with a critical examination of consumer culture and emphasizes the transformation of the book itself into a field for reader participation. Its open ending expands the poem beyond the printed page and reinforces one of the central concepts of Poema Processo, in which the work remains a transformable structure that can potentially be continued by the reader.

The O Globo clipping dated March 14, 1976 is therefore a significant primary source for research on Joaquim Branco, Consumito, Poema Processo, concrete poetry, Brazilian visual poetry, experimental poetry, consumer society, artist books and graphic experimentation in Brazil during the 1960s and 1970s.

Recorte original do jornal O Globo, datado de 14 de março de 1976, contendo a matéria Consome me ou te devoro, assinada por Marcia Brito, identificada no próprio recorte como jornalista e poeta experimental. O texto é dedicado ao livro Consumito, de Joaquim Branco, e apresenta informações bibliográficas, análise crítica, referências literárias e descrição detalhada da organização interna da publicação.

A ficha impressa informa Joaquim Branco, Consumito, Editora do Autor, 110 páginas, preço de 30 cruzeiros e cotação de quatro estrelas. A publicação constitui um documento contemporâneo do lançamento e da recepção crítica do livro em 1976.

Marcia Brito interpreta Consumito como crítica direta aos mecanismos da sociedade de consumo. O artigo relaciona o homem moderno aos sistemas de informação e ao consumo imediato, apresentando a poesia como instrumento de investigação de novas linguagens e novas formas de comunicação.

O texto menciona José Neumanne Pinto e registra referências a Mario Faustino, Haroldo de Campos, Augusto de Campos, Mallarmé, E. E. Cummings, James Joyce, Ezra Pound e Vladimir Maiakovski. Essas referências ajudam a documentar o campo intelectual e poético no qual a produção de Joaquim Branco era interpretada naquele período.

O artigo registra ainda obras anteriores de Joaquim Branco, entre elas Convenções de Iara, Chaves em mãos e Mundo de Édipo, informação relevante para a reconstrução de sua bibliografia e cronologia artística.

Consumito é descrito como um livro dividido em duas partes. A primeira reúne 25 poemas produzidos entre 1962 e 1974 e apresenta forte presença da poesia concreta. João Cabral de Melo Neto é citado como influência, especialmente em relação ao poema Exercício do rei. O Homem do elevador também recebe comentário específico.

Entre os poemas concretos citados encontram se Heráclito, Bashô, Anacreonte, Direções, Natal Nepal e Tovetati. A matéria destaca o aproveitamento do espaço branco do papel, os movimentos da palavra e sua disposição espacial, características essenciais para compreender a dimensão visual da produção de Joaquim Branco.

A segunda parte recebe a denominação Processos e tem início com Decomposição. Nesse trabalho, a palavra silêncio é submetida a um processo de decomposição que gera outro poema para o leitor. A operação constitui um exemplo especialmente significativo da aproximação de Joaquim Branco com os princípios do Poema Processo.

Depois de Decomposição são mencionados outros 24 poemas experimentais dedicados à pesquisa de novas linguagens. Marcia Brito observa que símbolos e mitos da sociedade de consumo são transferidos para os poemas processo.

Um dos trabalhos descritos é Out Indoo R, no qual aparece o corpo de uma mulher saindo de uma gigantesca garrafa de Coca Cola. A imagem é interpretada como crítica à transformação da mulher em objeto e aos mecanismos de consumo da sociedade contemporânea.

A crítica ressalta ainda que o livro não apresenta um encerramento convencional. O último poema amplia a participação do leitor, deixando aberta a continuidade do processo poético. Essa característica aproxima Consumito das proposições do Poema Processo, nas quais leitura, transformação, participação e estrutura visual integram a própria construção da obra.

Documento de grande relevância para a bibliografia e a fortuna crítica de Joaquim Branco e para a documentação histórica de Consumito. Constitui também fonte primária para estudos sobre Poema Processo, poesia concreta, poesia visual, poesia experimental brasileira, livro de artista, comunicação, linguagem gráfica, cultura de consumo e arte brasileira da década de 1970.

Termos relevantes para indexação incluem Joaquim Branco, Consumito, Consome me ou te devoro, Marcia Brito, O Globo, 14 de março de 1976, Editora do Autor, Poema Processo, Processos, Decomposição, Exercício do rei, O Homem do elevador, Out Indoo R, João Cabral de Melo Neto, José Neumanne Pinto, Mario Faustino, Haroldo de Campos, Augusto de Campos, Mallarmé, E. E. Cummings, James Joyce, Ezra Pound, Vladimir Maiakovski, poesia concreta, poesia visual brasileira, poesia experimental, sociedade de consumo, livro de artista e arte brasileira dos anos 1970.

Observation text in English

Original clipping from the newspaper O Globo dated March 14, 1976, containing the article Consome me ou te devoro, signed by Marcia Brito, who is identified in the clipping as a journalist and experimental poet. The text is devoted to the book Consumito by Joaquim Branco and contains bibliographical information, critical analysis, literary references and a detailed description of the internal organization of the publication.

The printed bibliographical information identifies Joaquim Branco, Consumito, Editora do Autor, 110 pages, a price of 30 cruzeiros and a four star rating. The publication is a contemporary document recording the launch and critical reception of the book in 1976.

Marcia Brito interprets Consumito as a direct critique of the mechanisms of consumer society. The article connects modern individuals with information systems and immediate consumption while presenting poetry as a means of investigating new languages and new forms of communication.

The text mentions José Neumanne Pinto and records references to Mario Faustino, Haroldo de Campos, Augusto de Campos, Mallarmé, E. E. Cummings, James Joyce, Ezra Pound and Vladimir Mayakovsky. These references help document the intellectual and poetic context in which the production of Joaquim Branco was interpreted during this period.

The article also records earlier works by Joaquim Branco, including Convenções de Iara, Chaves em mãos and Mundo de Édipo, providing valuable information for the reconstruction of his bibliography and artistic chronology.

Consumito is described as a book divided into two sections. The first contains 25 poems produced between 1962 and 1974 and shows a strong presence of concrete poetry. João Cabral de Melo Neto is cited as an influence, particularly in relation to the poem Exercício do rei. O Homem do elevador also receives specific critical attention.

Among the concrete poems mentioned are Heráclito, Bashô, Anacreonte, Direções, Natal Nepal and Tovetati. The article emphasizes the use of blank space on the page, movement of words and spatial arrangement, all essential characteristics for understanding the visual dimension of the poetry of Joaquim Branco.

The second section is identified as Processos and begins with Decomposição. In this work the word silêncio undergoes a process of decomposition that produces a new poem for the reader. This operation represents a particularly significant example of the relationship between Joaquim Branco and the principles of Poema Processo.

Following Decomposição the article mentions another 24 experimental poems devoted to research into new languages. Marcia Brito observes that symbols and myths of consumer society are transferred into process poems.

One of the works described is Out Indoo R, in which the body of a woman emerges from a gigantic Coca Cola bottle. The image is interpreted as a critique of the transformation of women into objects and of the mechanisms of contemporary consumer culture.

The critic also emphasizes that the book does not have a conventional ending. Its final poem expands the participation of the reader and leaves the poetic process open to continuation. This characteristic connects Consumito with the propositions of Poema Processo, in which reading, transformation, participation and visual structure become integral parts of the work itself.

This document is highly relevant to the bibliography and critical reception of Joaquim Branco and to the historical documentation of Consumito. It is also an important primary source for research on Poema Processo, concrete poetry, visual poetry, Brazilian experimental poetry, artist books, communication, graphic language, consumer culture and Brazilian art of the 1970s.

Relevant indexing terms include Joaquim Branco, Consumito, Consome me ou te devoro, Marcia Brito, O Globo, March 14 1976, Editora do Autor, Poema Processo, Processos, Decomposição, Exercício do rei, O Homem do elevador, Out Indoo R, João Cabral de Melo Neto, José Neumanne Pinto, Mario Faustino, Haroldo de Campos, Augusto de Campos, Mallarmé, E. E. Cummings, James Joyce, Ezra Pound, Vladimir Mayakovsky, concrete poetry, Brazilian visual poetry, experimental poetry, consumer society, artist book and Brazilian art of the 1970s.

Proveniência

Coleção Poema Processo

Inglês

Newspaper clipping from O Globo dated March 14, 1976, featuring the article Consome me ou te devoro, written by Marcia Brito, journalist and experimental poet, and devoted to the publication and critical analysis of Consumito by Joaquim Branco.

Dimensions: 11,7 x 8,3 in