Home Acervo Vlada Stojiljkovi Conjunto de quatro obras signalistasBelgrado, Iugoslávia1971 a 1973Poesia visual, colagem, desenho, experimentação tipográfica e arte gráfica

Vlada Stojiljkovi Conjunto de quatro obras signalistasBelgrado, Iugoslávia1971 a 1973Poesia visual, colagem, desenho, experimentação tipográfica e arte gráfica

Vlada Stojiljkovic - Iugoslavia

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03843 - 1971-1973 - Obra de Arte

15 x 10,5 cm

Texto para o programa Salsa

Vlada Stojiljkovi

Conjunto de quatro obras signalistas

Belgrado, Iugoslávia

1971 a 1973

Poesia visual, colagem, desenho, experimentação tipográfica e arte gráfica

Conjunto de quatro obras de Vlada Stojiljkovi

produzido no contexto do Signalismo iugoslavo em Belgrado entre 1971 e 1973. Os trabalhos combinam letras, números, sinais gráficos, figuras humanas, formas circulares, objetos, texturas e fragmentos de imagens, construindo composições nas quais escrita e representação visual pertencem a um mesmo sistema poético.

Vlada Stojiljkovi

participou do ambiente experimental reunido em torno de Miroljub Todorovi

e da revista Signal. Sua produção visual aproximou poesia, desenho, colagem, tipografia, design gráfico e pesquisa sobre signos. Nesse contexto, letras e números deixam de funcionar exclusivamente como componentes da linguagem verbal e passam a atuar como formas, imagens, ritmos e unidades de informação.

As quatro obras apresentam assinaturas manuscritas de Vlada Stojiljkovi

no verso. A repetição da assinatura em cada folha confirma que se trata de trabalhos autônomos reunidos posteriormente como um conjunto. As imagens disponíveis não mostram títulos, datas ou inscrições adicionais claramente legíveis no verso.

A primeira composição apresenta uma grande forma circular preenchida por letras, números, sinais matemáticos, fragmentos tipográficos e pequenas imagens. Os elementos ocupam quase toda a superfície interna do círculo e formam uma espécie de campo visual condensado.

O círculo pode ser interpretado como planeta, disco, lente, globo, sistema fechado ou mapa de informações. Dentro dele, caracteres de diferentes alfabetos e escalas são sobrepostos e aproximados sem formar uma frase linear. A leitura acontece por associação, contraste, repetição e deslocamento.

Algumas letras aparecem ampliadas, enquanto outras são pequenas e parcialmente encobertas. Números, estrelas, sinais de pontuação, figuras geométricas e fragmentos de palavras criam uma estrutura semelhante a um arquivo visual. A composição sugere uma linguagem universal formada pela acumulação de códigos heterogêneos.

A concentração dos sinais dentro de um contorno circular estabelece uma relação entre ordem e saturação. O limite externo organiza o conjunto, mas o interior permanece instável e fragmentado. O resultado pode ser associado à circulação de informações em uma sociedade tecnológica e à tentativa signalista de construir uma comunicação que ultrapassasse a escrita discursiva.

A segunda obra apresenta uma figura humana posicionada sobre uma forma hemisférica. O personagem estende um dos braços para cima, em direção a uma linha horizontal preenchida por uma sequência alfabética ou tipográfica.

A imagem pode sugerir um indivíduo procurando alcançar, tocar ou receber uma faixa de informação. A linha superior funciona como fronteira, horizonte, mensagem ou canal de transmissão. A figura humana estabelece uma ligação vertical entre o campo inferior e o sistema gráfico situado acima.

Na metade inferior há um grande campo escuro que contém letras, números e sinais organizados em diferentes direções. Entre os elementos mais visíveis aparecem a letra W, grupos formados pela letra i e pequenos módulos semelhantes a códigos técnicos.

A oposição entre a figura desenhada e a estrutura tipográfica cria um encontro entre corpo e linguagem. O gesto do personagem transforma a leitura em ação física. O trabalho aproxima poesia visual, desenho narrativo e representação de sistemas informacionais.

A terceira composição apresenta uma figura humana construída parcialmente por letras, números, palavras, sinais e fragmentos gráficos. O personagem aparece de perfil ou em movimento, sobre uma faixa irregular que funciona como solo.

O corpo é simultaneamente figura e texto. Letras de diferentes tamanhos ocupam a cabeça, o tronco, os braços e as pernas. Alguns caracteres ultrapassam os limites da silhueta, como se a linguagem estivesse sendo emitida, perdida ou reorganizada durante o deslocamento.

O trabalho dissolve a separação entre identidade humana e informação. A figura não está apenas coberta por sinais. Ela parece constituída por eles. A linguagem torna se anatomia, memória, roupa, pensamento e movimento.

A postura do personagem sugere caminhada, desequilíbrio ou transformação. A irregularidade da superfície inferior reforça a sensação de passagem por um território instável. A obra pode ser compreendida como investigação sobre o ser humano dentro de um ambiente saturado por códigos.

A quarta composição é organizada por uma grande forma retangular que contém letras, números, símbolos, texturas, objetos e pequenos módulos gráficos. Acima dessa superfície surgem uma árvore ou ramo vertical, uma forma circular suspensa e outros elementos parcialmente isolados.

A faixa visual central funciona como paisagem de signos. Os componentes aparecem distribuídos horizontalmente, formando um repertório de imagens abstratas e reconhecíveis. Entre eles observam se números, letras, círculos, triângulos, espirais, estrelas, padrões ópticos e formas semelhantes a emblemas.

A árvore introduz um elemento orgânico em contraste com a estrutura codificada. Sua presença pode sugerir crescimento, natureza, memória ou continuidade. A forma circular situada na parte superior contém uma pequena sequência visual que lembra dentes, teclas ou uma estrutura mecânica.

A região inferior é ocupada por uma extensa área negra. A divisão entre o campo de signos e a superfície escura produz uma relação entre informação e silêncio, visibilidade e ausência, acúmulo e vazio.

As quatro obras compartilham procedimentos semelhantes. Stojiljkovi

reúne materiais heterogêneos, fragmenta a escrita, elimina a leitura sequencial e transforma os caracteres em componentes de uma arquitetura visual.

O conjunto também demonstra diferentes relações entre linguagem e figura. Na primeira obra, os sinais formam um universo circular. Na segunda, o corpo procura alcançar uma linha de informação. Na terceira, a figura humana é construída pela própria linguagem. Na quarta, os signos formam uma paisagem organizada sobre uma área de vazio.

Essas estruturas correspondem ao interesse do Signalismo por novos modelos de comunicação. A poesia não permanece limitada à palavra impressa nem depende de uma sequência determinada. Ela é produzida por relações espaciais entre signos, imagens, corpos, objetos e superfícies.

As composições podem ser indexadas nos campos de poesia visual iugoslava, poesia experimental, Signalismo, arte conceitual, colagem, desenho, tipografia experimental, design gráfico e publicação de artista. Também são relevantes para o estudo das relações internacionais entre o Signalismo, a poesia concreta, o Poema Processo e outras neovanguardas que investigaram a autonomia visual do signo.

Não foi localizada nas imagens uma indicação que permita atribuir títulos individuais com segurança. Por isso, as obras devem ser cadastradas provisoriamente como conjunto de quatro composições visuais de Vlada Stojiljkovi

, mantendo o período de 1971 a 1973 fornecido pela documentação do acervo.

English

Text for the Salsa program

Vlada Stojiljkovi

Group of four Signalist works

Belgrade, Yugoslavia

1971 to 1973

Visual poetry, collage, drawing, typographic experimentation and graphic art

Group of four works by Vlada Stojiljkovi

produced within the context of Yugoslav Signalism in Belgrade between 1971 and 1973. The compositions combine letters, numbers, graphic signs, human figures, circular forms, objects, textures and image fragments, creating structures in which writing and visual representation belong to the same poetic system.

Vlada Stojiljkovi

participated in the experimental environment formed around Miroljub Todorovi

and Signal magazine. His visual production connected poetry, drawing, collage, typography, graphic design and research into signs. Within this context, letters and numbers no longer function exclusively as components of verbal language. They become forms, images, rhythms and units of information.

All four works bear handwritten signatures by Vlada Stojiljkovi

on the reverse. The repetition of the signature on each sheet confirms that they are autonomous works later preserved as a group. The supplied images do not reveal clearly legible titles, dates or additional inscriptions on the reverse.

The first composition presents a large circular form filled with letters, numbers, mathematical signs, typographic fragments and small images. These elements occupy almost the entire internal surface of the circle and create a condensed visual field.

The circle may be understood as a planet, disc, lens, globe, closed system or map of information. Inside it, characters from different alphabets and in different scales are superimposed and juxtaposed without forming a linear sentence. Reading occurs through association, contrast, repetition and displacement.

Some letters appear enlarged, while others are small and partially concealed. Numbers, stars, punctuation marks, geometric figures and word fragments create a structure resembling a visual archive. The composition suggests a universal language constructed through the accumulation of heterogeneous codes.

The concentration of signs within a circular outline establishes a relationship between order and saturation. The external boundary organizes the group, while the interior remains unstable and fragmented. The result may be associated with the circulation of information in technological society and with the Signalist attempt to create communication beyond discursive writing.

The second work presents a human figure standing on a hemispherical form. The figure extends one arm upward toward a horizontal line filled with an alphabetical or typographic sequence.

The image may suggest a person attempting to reach, touch or receive a band of information. The upper line functions as boundary, horizon, message or transmission channel. The human figure creates a vertical connection between the lower field and the graphic system positioned above.

The lower half contains a large dark field with letters, numbers and signs arranged in different directions. Among the most visible elements are the letter W, groups formed by the lowercase letter i and small modules resembling technical codes.

The opposition between the drawn figure and the typographic structure creates an encounter between body and language. The gesture of the figure transforms reading into physical action. The work connects visual poetry, narrative drawing and the representation of information systems.

The third composition presents a human figure constructed partly from letters, numbers, words, signs and graphic fragments. The character appears in profile or in motion, standing on an irregular strip that functions as ground.

The body is simultaneously figure and text. Letters of different sizes occupy the head, torso, arms and legs. Some characters extend beyond the limits of the silhouette, as though language were being emitted, lost or reorganized during movement.

The work dissolves the separation between human identity and information. The figure is not merely covered by signs. It appears to be constituted by them. Language becomes anatomy, memory, clothing, thought and movement.

The posture suggests walking, imbalance or transformation. The irregular lower surface reinforces the impression of passage through unstable territory. The work may be understood as an investigation into the human subject within an environment saturated by codes.

The fourth composition is organized around a large rectangular form containing letters, numbers, symbols, textures, objects and small graphic modules. A tree or vertical branch, a suspended circular form and other partially isolated elements rise above this surface.

The central visual band functions as a landscape of signs. Its components are distributed horizontally and form a repertoire of abstract and recognizable images. Numbers, letters, circles, triangles, spirals, stars, optical patterns and emblematic forms can be observed.

The tree introduces an organic element in contrast with the coded structure. Its presence may suggest growth, nature, memory or continuity. The circular form in the upper section contains a small sequence resembling teeth, keys or a mechanical structure.

The lower region is occupied by an extensive black field. The division between the field of signs and the dark surface produces a relationship between information and silence, visibility and absence, accumulation and emptiness.

The four works share related procedures. Stojiljkovi

assembles heterogeneous materials, fragments writing, eliminates sequential reading and transforms characters into elements of a visual architecture.

The group also demonstrates different relationships between language and figure. In the first work, signs form a circular universe. In the second, the body attempts to reach a line of information. In the third, the human figure is constructed through language itself. In the fourth, signs form a landscape organized above an area of emptiness.

These structures correspond to the Signalist interest in new models of communication. Poetry is no longer limited to the printed word and does not depend on a predetermined sequence. It is produced through spatial relations among signs, images, bodies, objects and surfaces.

The compositions may be indexed within Yugoslav visual poetry, experimental poetry, Signalism, conceptual art, collage, drawing, experimental typography, graphic design and artists publications. They are also relevant to the study of international relations among Signalism, concrete poetry, the Process Poem Movement and other neo avant garde practices that investigated the visual autonomy of the sign.

The supplied images do not provide sufficient information to assign individual titles securely. The works should therefore be provisionally catalogued as a group of four visual compositions by Vlada Stojiljkovi

, preserving the period from 1971 to 1973 provided by the collection documentation.

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